Hoje, sinto nascer em mim uma vontade cada vez maior de ajudar mulheres.
Talvez porque, desde muito cedo, eu tenha visto de perto realidades que nenhuma mulher deveria viver.
Vi minha mãe sofrer violência dentro de casa.
Conheci a história triste da minha avó Clara, uma mulher que, em algum momento da vida, adoeceu e acabou ficando sem respostas, sem o cuidado que talvez precisasse e, de certa forma, esquecida atrás da sua própria doença.
Nasci e cresci no subúrbio de Salvador, em uma família humilde. Cresci vendo mulheres trabalharem, lutarem, criarem seus filhos e enfrentarem dificuldades que muitas vezes não eram resultado de falta de vontade, mas de falta de oportunidades.
Também vi mulheres fazendo escolhas que, de fora, poderiam parecer erradas.
Hoje, olhando para trás, penso que muitas delas talvez simplesmente não tivessem tido outras possibilidades.
Faltava informação.
Faltava apoio.
Faltava oportunidade.
Às vezes, faltava alguém que dissesse:
“Você pode escolher outro caminho.”
Foi convivendo com essas histórias que comecei a entender que uma oportunidade pode mudar uma vida.
Uma oficina pode ensinar muito mais do que uma técnica.
Pode despertar autoestima.
Pode revelar um talento.
Pode gerar renda.
Pode criar vínculos.
Pode devolver coragem.
É por isso que hoje quero usar aquilo que aprendi ao longo da minha caminhada — o artesanato, o ensino, a comunicação e a minha própria história — para incentivar outras mulheres.
Não quero falar com elas de cima para baixo.
Quero caminhar ao lado.
Porque eu também vim de uma realidade simples.
E sei que, muitas vezes, tudo o que uma mulher precisa para começar a mudar sua história é encontrar uma pequena porta aberta.
Se eu puder ser essa porta para alguma mulher, então tudo o que vivi também terá encontrado um sentido.

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