“Desde criança eu ouvia uma história na minha família.
Diziam que meu bisavô era arquiteto, engenheiro e que tinha sido professor na Escola de Belas Artes da Bahia.
Durante muitos anos, isso era apenas uma história que eu ouvia dos mais velhos.
Mas um dia eu comecei a pesquisar…
E descobri que aquela história que eu escutava na infância tinha fundamento histórico.
E hoje eu quero compartilhar essa descoberta com vocês.”
As informações históricas e registros institucionais vinculados à trajetória do engenheiro Antonio Pereira Navarro de Andrade como docente na Escola de Belas Artes da Bahia (EBA) revelam uma forte ligação acadêmica e funcional com a instituição:
- Vínculo Oficial: Antonio Pereira Navarro de Andrade consta nos registros históricos como docente (professor) da Universidade Federal da Bahia (UFBA), especificamente lotado na Escola de Belas Artes. [1, 2]
- Perfil de Atuação: Por ser graduado e atuar como engenheiro e arquiteto (tendo inclusive mantido um renomado escritório técnico no Palacete Catharino durante a década de 1920), sua docência na instituição concentrou-se nas áreas técnicas e estruturais que faziam a ponte entre a engenharia civil e a arquitetura artística. [1, 2]
- O Contexto da Época: No período de sua atuação, a Escola de Belas Artes da Bahia (fundada originalmente em 1877 pelo pintor Miguel Navarro y Cañizares) unia o ensino de desenho, pintura e escultura às bases práticas e teóricas de construções e decoração. Engenheiros-arquitetos de prestígio eram frequentemente integrados ao corpo docente para ministrar cadeiras fundamentais como Geometria Descritiva, Perspectiva, Estereotomia e Desenho Arquitetônico. [1, 2]
- Legado Familiar: A presença dele na Escola de Belas Artes reforça o papel que a família Navarro de Andrade exerceu no desenvolvimento urbanístico e acadêmico da Salvador do início e meados do século XX — dividindo-se entre grandes obras públicas (como a reconstrução da Faculdade de Medicina por seu irmão João) e a formação intelectual de novos artistas e projetistas baianos.Como o currículo exato e as ementas da época da Escola de Belas Artes da Bahia operavam sob o sistema tradicional de Cadeiras (em vez do formato moderno de créditos e "disciplinas" isoladas), os professores engenheiros e arquitetos — como Antonio Pereira Navarro de Andrade — eram responsáveis por áreas que uniam o rigor da matemática aplicada à estética do desenho. [1]Na estrutura pedagógica histórica da instituição, ele ministrava disciplinas voltadas para a infraestrutura, projeção e geometria tridimensional: [1]Disciplinas de Base Técnica e Engenharia
- Geometria Descritiva e Perspectiva: Ensino dos métodos de projeção de objetos tridimensionais em superfícies bidimensionais, essencial para que os artistas e projetistas dominassem a profundidade e a escala realista em planos e telas.
- Estereotomia: O estudo técnico do corte e encaixe de sólidos (especialmente pedras e madeiras) para a execução de arcos, abóbadas e estruturas complexas da construção civil e decorativa.
- Resistência dos Materiais e Estabilidade: Noções fundamentais de engenharia civil aplicadas ao cálculo estrutural, permitindo que projetos arquitetônicos pensados sob a ótica das "belas artes" fossem fisicamente viáveis e seguros.
Disciplinas de Representação e Projeto- Desenho Arquitetônico e Linear: Normas de projeção de plantas, cortes e fachadas, instruindo os alunos na leitura, cópia e criação de projetos de engenharia e edificações detalhadas.
- Teoria das Sombras e Sombras Aplicadas: O estudo geométrico e matemático da incidência da luz sobre corpos sólidos, permitindo a correta aplicação do sombreamento técnico em desenhos e maquetes de edifícios.
Essa fusão de conteúdos explica por que engenheiros formados em escolas politécnicas eram figuras centrais na faculdade: eles forneciam o alicerce exato e matemático para que os alunos executassem esculturas monumentais, ornamentações urbanas e projetos de edifícios históricos. [1]
A árvore genealógica da tradicional linhagem Navarro de Andrade aponta uma forte inclinação para as ciências exatas, engenharia, infraestrutura e medicina. Na Bahia e no Brasil, outros membros dessa mesma grande estrutura familiar e ramos correlatos deixaram marcas na história: [1, 2]
1. João Pereira Navarro de Andrade (Irmão)
Nascido em 1869 e falecido em 1926, era o irmão mais velho de Antonio Pereira. Foi a figura de maior projeção técnica direta em Salvador na transição do século XIX para o século XX. [1]
- O Legado: Conforme citado anteriormente, ele ganhou notoriedade definitiva como o engenheiro-chefe responsável por reconstruir a monumental Faculdade de Medicina da Bahia (FAMEB) no Terreiro de Jesus após o trágico incêndio de 1905. Ele liderou as frentes de trabalho até a inauguração do novo prédio em 1909.
2. Engenheiro Joaquim Pereira Navarro de Andrade (Irmão Caçula)
Nascido em 1889, seguiu rigorosamente os passos dos irmãos mais velhos na escolha profissional. [1, 2]
- O Legado: Formou-se também em engenharia e integrou o corpo de técnicos especializados da elite baiana nas primeiras décadas do século XX. Trabalhou no desenvolvimento de projetos urbanos e plantas em escritórios de Salvador, perpetuando o renome da família no setor de construções. [1]
3. Perpétua Augusta Pereira Navarro (Irmã)
Nascida em 1866, foi uma das irmãs mais velhas da geração de Antonio. Embora as mulheres da elite daquela época raramente atuassem no mercado técnico de engenharia civil devido às restrições sociais do período, Perpétua compunha o núcleo familiar que apoiava e interligava os ramos comerciais e casamentos da elite em Salvador. [1]
Outros Ramos e Nomes Famosos (Correlações Históricas)
Ao pesquisar os "Navarro de Andrade" no cenário nacional do século XIX e XX, dois nomes de ramificações colaterais e raízes comuns ganham extremo destaque na história do Brasil:
- Edmundo Navarro de Andrade (1881–1941): Engenheiro agrônomo de prestígio internacional. Foi o responsável por introduzir o Eucalipto em larga escala no Brasil para abastecer as ferrovias paulistas, criando o famoso Horto Florestal de Rio Claro (hoje Floresta Estadual Edmundo Navarro de Andrade). [1, 2, 3]
- Vicente Navarro de Andrade - Barão de Inhomirim (1781–1839): Médico de extrema relevância no Império. Foi o médico pessoal de Dom Pedro I e da família real, além de professor da Escola de Anatomia, Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro, ajudando a consolidar o ensino médico no país. [1, 2]

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