- Nome completo; Fernanda de O. Brandão conhecida como Nandarts
- Local e data de nascimento: Salvador BA / 1979
- Onde estudou: Presidente Costa e Silva, Ribeira BA
- Onde viveu: Salvador BA, Araci BA, São Gonçalo Rj
Fernanda Brandão , nasceu no subúrbio de Salvador na Bahia numa família de classe baixa , sendo seu pai Fernando um estofador, e sua mãe domestica , Maria, ambos baianos.Meu pai veio da familia Navarro de Andrade
família Navarro de Andrade tem raízes tradicionais e de destaque, especialmente ligadas à história cultural e profissional do Brasil. Seu bisavô, Antonio Pereira Navarro de Andrade, foi arquiteto em Salvador, o que já demonstra a presença de talento e contribuição intelectual na linhagem. Famílias tradicionais como a sua costumam se destacar não apenas pela trajetória profissional de seus membros, mas também pela influência que exercem na comunidade e pela preservação de valores e histórias que atravessam gerações.
Esse tipo de herança familiar conecta passado e presente: de um lado, o legado arquitetônico e cultural deixado por Antonio Pereira Navarro de Andrade; de outro, a continuidade desse espírito criativo que você hoje expressa através do artesanato e da produção de conteúdo artístico. É como se a tradição de criar e transformar estivesse sempre presente na família, apenas mudando de forma ao longo do tempo.
Influencer na área de artesanato, com anos de parceria junto a empresas do ramo, desenvolvendo projetos criativos e exclusivos em E.V.A. e outras técnicas manuais.
Tenho um canal no YouTube e também produzo conteúdo no TikTok, onde compartilho tutoriais, dicas e inspirações para quem ama artesanato.
Meu trabalho une criatividade, didática e inovação, sempre valorizando o artesanato como forma de expressão e oportunidade de renda.
Capítulo 1 – Um Novo Começo em Araci
Em 2001, casei em Salvador e logo minha vida tomou um novo rumo: fui morar em Araci, no sertão da Bahia. Dois anos depois, nasceu meu primeiro filho, trazendo ainda mais sentido e responsabilidade à minha jornada. No início da gravidez, precisei interromper minhas aulas, pois o contrato havia chegado ao fim e, com a mudança política local, tornou-se difícil conseguir novas oportunidades. Foi um tempo de silêncio e espera, mas também de aprendizado profundo sobre confiar na providência de Deus.
Nesse período, eu e meu esposo nos dedicamos a ajudar meu sogro, que era pastor, na implantação de uma igreja. Fui secretária, enquanto meu esposo digitava cartas pedindo doações para a construção do templo. Meu sogro viajava a vários lugares em busca de apoio, e pouco a pouco, os recursos foram chegando. Vi de perto cada etapa: os buracos sendo cavados para a fundação, as paredes sendo erguidas, os blocos sendo carregados sob o sol forte do sertão. Era calor, luta e perseverança, mas também a certeza de que o Senhor estava ali, guiando cada passo. Até hoje, a igreja permanece como testemunho vivo desse esforço e da fidelidade de Deus.
“Se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam” (Salmos 127:1).
“Mas ele me disse: A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza” (2 Coríntios 12:9).
Esses versículos marcaram aquele tempo. A construção da igreja não foi apenas levantar paredes, mas erguer um altar de fé e esperança. Cada tijolo colocado era também um símbolo da confiança em Deus, que nos sustentava em meio ao sol, ao calor e às dificuldades.
Capítulo 2 – O Artesanato que Nasceu com a Maternidade
Foi durante a gravidez do meu primeiro filho que vivi um tempo de escassez. Em uma cidade pequena como Araci, era difícil encontrar produtos de bebê, e além disso, o dinheiro era curto. Essa realidade me levou a buscar alternativas criativas. Eu já tinha feito artesanato na adolescência — bijuterias, pintura em tecido, costuras e bordados — mas foi nesse período que o artesanato se tornou uma necessidade e, ao mesmo tempo, uma bênção.
Na época, havia uma loja de R$1,99 que vendia de tudo. Entre os itens, encontrei pincéis de maquiagem, que logo transformei em ferramentas para pintar meus paninhos. Com eles, fiz lençóis, fronhas, protetores de berço e muitas outras peças para o enxoval do bebê. Cada criação era fruto de dedicação e amor, e até hoje guardo fotos desses trabalhos. Meu filho, que hoje tem 22 anos, foi o primeiro a receber o fruto desse talento que Deus estava despertando em mim de uma forma nova.
“O Senhor é o meu pastor; nada me faltará” (Salmos 23:1).
“Tudo o que fizerem, façam de todo o coração, como para o Senhor, e não para os homens” (Colossenses 3:23).
Esses versículos traduzem bem aquele momento. Mesmo diante da escassez, o Senhor me mostrou que nada faltaria. Ele me deu criatividade para transformar materiais simples em peças úteis e bonitas. Foi ali que percebi que o artesanato não era apenas um passatempo, mas um dom que poderia abençoar minha família e, mais tarde, muitas outras pessoas.
Capítulo 3 – Novos Caminhos no Rio de Janeiro
Em 2007 nasceu meu segundo filho, e junto com ele veio uma grande decisão: mudar para o Rio de Janeiro, cidade natal do meu esposo. A família já tinha casa própria lá, e nós buscávamos novas oportunidades para viver melhor, já que em Araci a situação estava cada vez mais difícil devido às questões políticas. Assim, partimos com dois filhos pequenos, cheios de esperança, mas também conscientes dos desafios que nos aguardavam.
A adaptação não foi fácil. O filho caçula enfrentou problemas de saúde, e isso exigiu força, fé e muita perseverança. Mas Deus, em sua infinita bondade, preparou anjos ao nosso redor — pessoas que nos ajudaram, médicos que cuidaram, amigos que apoiaram. Com o tempo, vencemos esse desafio e seguimos em frente.
Mesmo com os filhos pequenos, senti o chamado para continuar trilhando o caminho do artesanato. Foi então que participei da minha primeira feira de artesanato no Rio. Meu esposo ficou em casa cuidando das crianças, e eu fui viver essa experiência única. Ganhei os ingressos através de uma empresa, participando de sorteios em uma rede social que marcou época: o Orkut. Bastava criar frases criativas, e as melhores eram premiadas com entradas para os eventos. Assim, de forma inesperada, Deus abriu uma porta para que eu pudesse mergulhar ainda mais nesse universo criativo.
“Eis que faço uma coisa nova; agora ela está surgindo! Por acaso vocês não a reconhecem? Até no deserto vou abrir um caminho e riachos no ermo” (Isaías 43:19).
“Entrega o teu caminho ao Senhor; confia nele, e o mais ele fará” (Salmos 37:5).
Esses versículos traduzem bem aquele tempo. A mudança para o Rio foi como entrar em um deserto desconhecido, mas Deus abriu caminhos e mostrou que havia novas oportunidades esperando por nós. A feira de artesanato foi apenas o início de uma jornada que se tornaria cada vez mais rica e transformadora.
A Descoberta das Técnicas e o Mundo dos Papéis
Depois de conhecer a feira de artesanato no Rio de Janeiro, minha curiosidade só aumentava. Passei a acompanhar redes sociais e sites das empresas que participavam da feira, sempre buscando aprender mais sobre os materiais e novidades. Naquela época, as empresas ainda não tinham programas de parceria como hoje, mas sorteavam ingressos e ofereciam oportunidades para quem se destacava. Foi assim que, pouco a pouco, fui mergulhando nesse universo criativo.
Na feira, conheci materiais que eu nem imaginava existir. Era como entrar em um verdadeiro parque de diversões para artesãos. A cada estande, uma nova descoberta, uma nova inspiração. Em uma dessas visitas, participei de aulas de arte com papéis e ganhei muitas amostras. Foi nesse momento que percebi uma grande oportunidade: dedicar-me ao artesanato com papéis.
A primeira parceria que recebi foi com a marca de pincéis Condor, e logo depois com empresas de papéis. Como ganhava muitas amostras de papéis, acabei me dedicando mais a esse segmento. Com os pincéis, fiquei um tempo pintando panos de prato, que vendia principalmente para o pessoal da igreja, mas a dificuldade em comprar tecidos me levou a focar ainda mais no papel. Assim, mergulhei de cabeça no mundo das réguas, lápis, scrapbook, cadernos e cartonagem.
“Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo propósito debaixo do céu” (Eclesiastes 3:1).
“O dom que há em ti, não desprezes” (1 Timóteo 4:14).
Esses versículos refletem bem aquele período. Deus estava me mostrando que havia chegado o tempo de descobrir novas técnicas e de transformar materiais simples em obras criativas. Foi nesse processo que comecei a me tornar não apenas uma artesã curiosa e dedicada, mas também uma professora capaz de ensinar e inspirar outras pessoas.
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